IGNORÂNCIA NATURAL

Uma coisa que sempre me incomodou profundamente são coisas iguais ou repetidas. Por mais que eu me inspire em alguém pra alguma obra, eu nunca vou querer fazer igual. Acho isso chato demais. Na verdade, é o caminho mais rápido pra ser chato: fazer igual ou repetir o que o outro já fez.

Em tempos de inteligência artificial, tudo tem ficado… artificial. Antinatural.

Olha os textos do LinkedIn. Todo mundo virou exímio escritor. Até quem nunca escreveu uma linha sequer. O problema? Tá tudo igual. É a mesma cadência. Frases curtas. Duas linhas e pula parágrafo. E sempre aquele “não é sobre isso… é sobre aquilo”.

As fotos? Iguais. Mesma pose, mesmo filtro, mesma cor, mesma roupa… tudo com cara de IA.

Os vídeos? Locução robótica, sem interpretação, sem entonação.

Posts nas redes sociais iguais. Pautas de entrevistas com as mesmas perguntas.

Falta pouco pra gente virar o próprio robô e ficar ainda mais chato. E aqui entra o ponto principal. As pessoas acham que estão se dando bem. Se sentem espertas por economizar tempo, esforço e dinheiro. Mas estão abrindo mão da única coisa que poderia diferenciá-las: a própria identidade.

Pra parecerem boas, estão ficando iguais. E quando todo mundo fica igual… todo mundo fica esquecível. E, no fim das contas… muito chato.